O Expediente

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Ferramentas e capacidade

O que funciona, quanto custa de verdade, onde quebra.

A Salesforce contou 3,2 bilhões de Agentic Work Units. Um prompt vale o mesmo que um caso resolvido

No resultado do segundo trimestre fiscal de 2027, divulgado em 26 de agosto, a Salesforce disse ter entregue 3,2 bilhões de 'Agentic Work Units' (AWUs) — alta de 97% sobre o trimestre anterior, somando 7 bilhões desde que a métrica existe. A própria página em que a Salesforce define o termo diz que uma AWU é 'um prompt processado, uma cadeia de raciocínio completada ou — mais importante — uma ferramenta invocada': três eventos de peso completamente diferente contados como a mesma unidade. Íris lê a definição, compara com o número de ARR (que segue regra contábil) publicado no mesmo relatório, e mostra por que 3,2 bilhões de uma unidade inventada há seis meses não é o mesmo tipo de dado que 240% de crescimento de receita reconhecida.

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A Microsoft mediu Claude Code e Copilot CLI em produção. O ganho é de pull request, não de valor entregue

Um estudo de três pesquisadores da Microsoft, publicado no arXiv em julho de 2026, usa telemetria individual de dezenas de milhares de engenheiros para medir o efeito de Claude Code e do Copilot CLI sobre pull requests mescladas — com grupo de controle sintético e um segundo desenho onde cada engenheiro é o próprio controle. O resultado: adotantes mesclaram cerca de 24% mais PRs, ganho que se sustenta por quatro meses. É o tipo de metodologia que esta coluna cobra e raramente recebe. E mesmo assim, os próprios autores escrevem, no artigo, que uma PR mesclada não é o mesmo que o valor que ela entrega — e que a área ainda não tem uma métrica para medir essa segunda coisa.

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O relatório novo da Search Console mostra onde você aparece na IA — não o que isso rendeu

O Google confirmou, no próprio blog do Search Central, que a partir de 31 de agosto de 2026 o relatório de desempenho em IA generativa da Search Console — lançado em teste em junho — chegou a todos os sites do mundo. A lista que a Google publica do que o relatório mostra tem cinco itens: impressões, páginas, países, dispositivos e datas. Não tem cliques, não tem taxa de cliques, não tem posição média, não tem consulta — os quatro números que o relatório de busca tradicional sempre teve. Rui lê a lista, e o que falta nela, como o de sempre: a distância entre a demo e o sistema que sustenta uma decisão de orçamento.

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O ChatGPT decide quem citar antes de buscar — mas o estudo que mostra isso tem uma conta só

Um estudo publicado em 10 de agosto de 2026 capturou o tráfego de rede de conversas do ChatGPT e mediu: marca citada na própria busca gerada pelo modelo, antes de qualquer página ser aberta, aparece na resposta final 33 vezes mais do que marca só recuperada durante a pesquisa. O método é declarado e verificável — a amostra é uma única conta, em Dubai, por dois dias.

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Um blog que a IA cita ainda não é um blog que vende. São três sistemas em produção, não um

A promessa por trás de escrever para ser citado por IA é simples: seja mencionado, apareça na resposta, converta a visita. Rui separa essa promessa em três sistemas medidos de forma independente — o que prevê ser citado (Ahrefs, 75 mil marcas: menção de marca correlaciona 0,664 com visibilidade em IA contra 0,218 de backlink), quanto dessa citação sobra por domínio dentro de uma categoria (Evertune: mesmo o mais citado raramente passa de ~5%) e quanto tráfego isso gera hoje (SE Ranking: 0,32% do tráfego total, 134 vezes menos que a busca orgânica). Nenhum leva ao próximo automaticamente. Com disclosure explícito — a casa vende esse serviço —, a peça audita a tese contra o próprio interesse comercial.

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Claude Code roda com mais autonomia que o chat — a diferença é um prompt contra treze rodadas

O relatório de junho de 2026 do Anthropic Economic Index mede 'autonomia' numa escala de 1 a 5 e encontra 0,53 ponto a mais quando o código sai do Claude Code em vez do chat — a própria empresa atribui a diferença, em boa parte, a menos rodadas de revisão: um prompt no Claude Code contra treze no chat para o mesmo resultado. A coluna lê o dado com o ceticismo devido a autorrelato de fornecedor, explica a metodologia declarada, e aplica a ele o teste de sempre: quantos pontos de revisão desaparecem quando a ferramenta passa a agir em vez de só responder, e quem paga quando um deles fazia falta.

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O que uma agência de GEO vende de verdade — e o que dá para fazer sem contratar nenhuma

Perguntei a uma IA o que faz uma empresa ser citada por ela, e a resposta trouxe cinco agências brasileiras vendendo o serviço. Fui ao site de quatro delas — a quinta não respondeu. Só duas colocam GEO no centro da oferta como serviço nomeado; uma terceira menciona IA seis vezes na própria home, mas como consequência do SEO tradicional, não como oferta à parte; a quarta não descreve nenhum serviço mencionando IA, só um título de post de blog num carrossel. Nenhuma das quatro publica preço. Nenhuma publica um caso comprovado de citação em IA, especificamente — os números que aparecem são de leads e vendas, de outras frentes. O Expediente vende o mesmo serviço, e é por isso que esta apuração leva disclosure antes da primeira frase.

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Um post promete vinte números sobre busca por IA. Rastreei cinco até a fonte

Um post de agência que promete "20 números que toda empresa deveria saber" sobre busca por IA cita cinco fontes diferentes. Abrimos cada uma na origem: duas estatísticas batem exatamente com o que a fonte primária mede, uma não tem metodologia nenhuma por trás, e duas foram atribuídas a um estudo que, quando aberto, mede outra coisa. O achado central não é que os números sejam inventados — é que quase ninguém, nesta cadeia de posts que se citam entre si, abriu a fonte original antes de repetir.

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