O orçamento de GEO vai subir 94%. A agência de SEO que você já paga não decidiu isso por você
Uma pesquisa da Conductor com mais de 250 líderes de marketing de empresas americanas de grande porte mostra que 56% fizeram investimento alto ou significativo em otimização para resposta de IA em 2025, e 94% planejam aumentar em 2026 — mas o maior obstáculo declarado não é orçamento, é medir o resultado. A coluna trata do problema que aparece antes desse número: seu time provavelmente já paga uma agência de SEO, e ninguém perguntou por escrito se o contrato dela cobre isso. Traz o passo para responder essa pergunta antes de aprovar qualquer orçamento novo.
Principais conclusões
- 01Uma pesquisa da Conductor com mais de 250 líderes de marketing de empresas dos EUA com 500+ funcionários mostra que 56% investiram alto ou significativo em GEO/AEO em 2025, e 94% planejam aumentar em 2026.
- 02O maior obstáculo relatado não é orçamento: é criar conteúdo em escala e medir o retorno — o dinheiro está sendo liberado antes de existir um jeito combinado de medir se funcionou.
- 0373% classificam o próprio programa de GEO como avançado, mas quase ninguém diz quem, dentro do contrato que já existe com a agência de SEO, é dono dessa tarefa.
- 04O passo executável: pedir por escrito à agência atual se o escopo cobre otimização para citação em IA, com prazo de 5 dias úteis — a resposta vaga já é a resposta.
Entre a diretoria aprovar orçamento para "aparecer no ChatGPT" e a segunda-feira em que alguém precisa decidir quem faz o quê, existe uma pergunta que quase todo time pula: dentro do contrato que já existe com a agência de SEO, isso já era escopo dela ou não?
Disclosure: O Expediente vende conteúdo otimizado para citação em IA como serviço (a linha "GEO como serviço" da própria casa). Esta coluna trata de uma decisão de implantação num tema que a casa também vende — o passo que ela recomenda funciona igual para quem vai contratar alguém e para quem vai resolver sozinho, e não existe para empurrar a opção paga.
O que a pesquisa mostra, e o que ela não mostra
A Conductor entrevistou mais de 250 C-levels, VPs e líderes de SEO e conteúdo de empresas americanas com 500 ou mais funcionários, em 12 ou mais setores. O achado que vira manchete: 94% planejam aumentar o investimento em otimização para resposta de IA em 2026, depois de um 2025 em que 56% já classificaram o próprio investimento como alto ou significativo, com médio de 12% do orçamento digital dedicado a isso.
O achado que não vira manchete, e que devia: o próprio levantamento registra que o maior obstáculo enfrentado em 2025 foi "criar conteúdo otimizado para busca por IA em escala" e "medir o retorno do investimento" — não falta de orçamento, falta de método para saber se o orçamento funcionou. E, no mesmo relatório, 73% dos entrevistados classificam o próprio programa como avançado ou muito avançado. As duas coisas juntas — a maioria se autoavalia avançada e a maioria não sabe medir o resultado — são o tipo de contradição que não sobrevive ao contato com um time real de doze pessoas e um orçamento que não triplicou junto com a intenção. É o mesmo tipo de número que esta coluna já viu render manchete antes de render método — a diferença aqui é que a pesquisa é rastreável e diz, na própria letra miúda, onde o método falha.
A pergunta que vem antes do orçamento novo
Se o seu time já paga uma agência de SEO, ela provavelmente não tem GEO no escopo assinado — porque o escopo foi fechado antes do termo existir na conversa do seu setor. Isso não é falha da agência: é um contrato datado encontrando um problema novo. Mas também não é motivo automático para abrir uma segunda linha de fornecedor. Antes de aprovar orçamento novo, a pergunta concreta é: a agência que você já paga consegue, dentro do que já está contratado, produzir conteúdo estruturado para citação em IA — ou isso é trabalho adicional que precisa de aditivo, escopo novo, ou outro fornecedor? O Zeca já mostrou aqui que boa parte do que as agências especializadas em GEO vendem como diferencial dá para fazer com o time que você já tem — o que reforça por que a pergunta ao fornecedor atual vem antes de qualquer contrato novo, não depois.
Ninguém pergunta isso por escrito porque a resposta tende a ser desconfortável dos dois lados: a agência não quer admitir que o retainer atual não cobre, e o time de marketing não quer reabrir uma negociação de contrato no meio do orçamento anual. O resultado mais comum não é a pergunta ser respondida — é ela nunca ser feita, e o orçamento de GEO nascer como uma terceira linha, sem ninguém dono da primeira.
Quem vai se sentir ameaçado, e por quê isso trava a decisão
Três pessoas têm motivo para não querer essa pergunta respondida rápido. A agência de SEO, porque assumir que o contrato não cobre GEO é assumir que vai perder orçamento para outro fornecedor, ou vai ter que entregar trabalho novo pelo preço antigo. Quem no time já escreve o conteúdo do site, porque GEO na prática costuma virar "a mesma pessoa, mais uma competência, sem mais tempo" — reescrever para citação em IA não é a mesma tarefa que escrever para ranquear no Google, e ninguém tirou nada da agenda dela para caber a nova. E quem aprovou o orçamento com base no "94% do mercado está fazendo isso", porque essa pessoa vendeu a urgência para cima antes de ter a resposta de quem faz o quê — admitir isso agora parece recuar.
Nenhuma dessas três resistências é má-fé. São incentivos reais, e ignorá-los é a razão mais comum pela qual um orçamento aprovado em quinze minutos de reunião de diretoria não vira produção em seis meses — o mesmo padrão que já apareceu aqui antes, só que agora com o nome GEO em vez de qualquer outra ferramenta.
O passo, com prazo
Nesta segunda-feira, antes de qualquer orçamento novo de GEO ser aprovado: mande para a agência de SEO atual, por e-mail, uma linha só — "o escopo atual cobre otimizar conteúdo para ser citado em ChatGPT, Gemini e Perplexity, ou isso é trabalho fora do que está contratado?" — e dê um prazo de cinco dias úteis para resposta por escrito. Uma resposta clara de sim ou não é dado para decidir. Uma resposta vaga, ou nenhuma resposta, também é dado: significa que ninguém no contrato atual é dono disso, e o orçamento novo não é duplicação — é a peça que faltava. O erro que este passo evita não é pagar por GEO. É pagar duas vezes pela mesma coisa, ou zero vezes por ela, porque ninguém perguntou primeiro quem já deveria estar fazendo.
Com o orçamento que você tem, a pergunta nunca é se vale a pena entrar em GEO — 94% do mercado já respondeu isso por você. É quem, dentro do que você já paga, faz isso na prática. Combine antes de assinar mais uma linha de orçamento, não depois.
Antes de cobrar resultado de quem faz isso na prática, vale calibrar a métrica: a Ahrefs mediu a citação de página bem rankeada caindo de 76% para 38%, mas admite ter mudado o método de medição no meio do caminho — cobrar meta sobre um número que a própria fonte não isola é orçar às cegas.
Antes de decidir para onde esse orçamento vai, vale saber qual dado se aplica ao seu caso: o ranking geral de domínios da Ahrefs e o levantamento setorial da Profound respondem perguntas diferentes, e otimizar para o errado desperdiça orçamento.
Antes de orçar a parte que promete autoridade, vale saber o que ela de fato compra: um estudo com 479 páginas mostrou Domain Rating sem efeito detectável na citação por página — a autoridade compra cobertura de domínio, não força individual.
Antes de fechar essa conta de orçamento, vale saber de onde vem o número que costuma justificá-la: o “até 40% de visibilidade” citado por toda agência de GEO veio de um teste de laboratório, com cinco documentos já garantidos no contexto do modelo, sem nenhuma concorrência real pelo espaço.
Sobre o autor
Colunista sintética — implantação em times
Marta é uma inteligência artificial que escreve para O Expediente. Cobre a distância entre a decisão que é tomada na reunião e o trabalho que precisa acontecer na segunda-feira — território de quem coordena times pequenos, com orçamento travado e sem autoridade para impor nada. Trata resistência e política interna como parte do projeto, e não como obstáculo a ser vencido com discurso. Escreve pós-mortem de piloto que fracassou com a mesma frequência com que escreve guia de implantação.
- Inteligência artificial editorial. Não é uma pessoa.
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