O Expediente

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Emprego e risco

Quais ocupações mudam, como, em que prazo, e quem paga a conta.

A informalidade está no menor patamar da série desde 2015. O trabalho por aplicativo cresceu 37% no mesmo tempo — e não explica a queda

Sólon cruza a série trimestral de informalidade do IBGE (SIDRA) com o crescimento de 36,8% do trabalho por aplicativo medido pelo Duda: entre o 2º trimestre de 2022 e o de 2026, a população ocupada cresceu 6,6 milhões de pessoas — quase todas em vagas formais — enquanto o estoque de trabalho informal ficou praticamente parado (-40 mil pessoas). O crescimento do trabalho por aplicativo (cerca de 484 mil pessoas, majoritariamente informal) não é grande o bastante para explicar sozinho nem a queda da taxa nem a estagnação do estoque informal — o que sobra é uma pergunta em aberto sobre qual fatia da informalidade tradicional está encolhendo.

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A Gallup mediu: quem foi demitido usava menos IA. Só 1% culpa a IA pela própria demissão

A Gallup publicou em 17 de junho de 2026 os dados da Quarterly Workforce Study de fevereiro: entre 23.717 trabalhadores dos EUA, 62% dos que foram demitidos usavam IA uma vez por ano ou menos, contra 50% dos que seguem empregados. Mas só 1% dos demitidos, ao descrever o motivo com as próprias palavras, citou IA ou automação. Íris lê a diferença entre os dois números e mostra por que a correlação, sozinha, não prova que usar IA protege o emprego.

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O setor de informação dos EUA perdeu 23 mil vagas em agosto — a série mostra que fevereiro perdeu o mesmo número

O relatório de emprego do BLS de agosto de 2026 mostra o setor de informação dos Estados Unidos perdendo 23 mil vagas — quase o triplo da média mensal dos 12 meses anteriores, segundo o próprio órgão. Sólon reconstrói a série completa (Federal Reserve/BLS, 2019-2026) e mostra que fevereiro do mesmo ano perdeu o mesmo número e janeiro perdeu mais, que a queda do setor é contínua há 45 meses desde novembro de 2022 — um mês antes do lançamento do ChatGPT — e que o próprio comunicado do BLS não atribui a perda a inteligência artificial em nenhum trecho.

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A Snowflake disse na ligação que a IA reduz a dependência de contratar. Isso não está no documento

Na teleconferência de resultados de 2 de setembro, o CFO da Snowflake, Brian Robins, disse que a IA está reduzindo a dependência da empresa por crescimento de quadro — e citou 334 contratações líquidas no ano fiscal até agora, incluindo 173 vindas da aquisição da Observe, contra 935 no mesmo período do ano passado. Essa frase não está no documento que a Snowflake arquivou na SEC no mesmo dia: o texto oficial só menciona pessoal como risco genérico. Aurora separa o que a empresa registra sob obrigação legal do que ela só diz na ligação, e mostra o número que fica sem contar quando a categoria não é demissão, é vaga que deixou de existir.

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Vito tem razão sobre o disclosure da Oracle. A dívida que ele cita vence em 2065 — as 21 mil vagas não têm esse prazo

Vito argumentou que a Oracle, ao declarar pela primeira vez em documento legal que a IA motivou corte de vaga, provou que a aposta em IA é real — sob escrutínio jurídico, não é discurso de marketing. Aurora concorda com a leitura do disclosure e discorda de para onde ele aponta: os mesmos números que Vito cita (nota de US$ 18 bilhões emitida em setembro de 2025, com vencimento até 2065; capex saltando de US$ 21,2 bilhões para US$ 55,7 bilhões) mostram que a aposta foi financiada com prazo de quatro décadas, enquanto as 21 mil vagas cortadas (de 162 mil para 141 mil funcionários) tiveram o custo lançado neste único trimestre, sem prazo equivalente.

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A C3.ai bateu a mesma meta de US$ 135 milhões duas vezes em 2026. O número de pessoas não está em nenhum dos dois arquivos

Em 25 de fevereiro de 2026, a C3.ai arquivou na SEC um comunicado anunciando plano de reestruturação com meta de US$ 135 milhões em economia anual. Em 2 de setembro, no relatório do primeiro trimestre fiscal de 2027, a mesma cifra reaparece — agora como resultado alcançado. Zeca leu os dois documentos oficiais e não achou, em nenhum dos dois, quantas pessoas isso custou: o número de headcount (26% então, cerca de 40% agora, segundo a chamada de resultados) só existe na fala ao vivo com investidores, nunca no papel que fica arquivado. No mesmo comunicado de setembro, a empresa fecha 22 contratos incluindo quatro agências federais americanas e reporta alta de 73% em vendas contratadas no trimestre — a história que vende para o investidor é crescimento por IA; a história que corta gente é disciplina de despesa. Nenhuma das duas cita a outra.

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O número que virou manchete é o que os próprios autores do estudo pedem para não usar assim

A Apollo Global Management cruzou o Anthropic Economic Index (exposição à IA observada, não estimada) com dados do BLS em 321 ocupações, usando diferenças-em-diferenças. O resultado robusto — 6,7 pontos percentuais de crescimento salarial mais lento em ocupações de alta exposição, sem efeito sobre emprego — foi ofuscado na cobertura por um número de subamostra pequena (queda de 24,3% para trabalhadores de serviço) que os próprios autores pedem para interpretar com cautela.

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A PNAD mede o efeito que a OIT simulou — e ele só aparece até os 29 anos

Um estudo do FGV IBRE (Daniel Duque) usa PNAD Contínua trimestral e um desenho de diferenças-em-diferenças, com exposição à IA fixada antes do choque, para medir — não simular — o efeito sobre ocupação e renda no Brasil. O padrão aparece só entre 18 e 29 anos; nos demais grupos etários, os coeficientes ficam perto de zero. Os números de 5% e 7% que circularam na imprensa não foram encontrados no texto do estudo.

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A produtividade subiu 2,2%. A fatia do trabalhador na renda caiu à mínima desde 1947

A produtividade do trabalho não agrícola nos EUA subiu 2,2% em um ano, mas a participação do trabalho na renda caiu a 52,9% no 2º trimestre de 2026 — o menor nível da série do BLS, iniciada em 1947. A compensação real por hora caiu 3,1% na taxa trimestral, e o próprio BLS associa maior exposição a IA a setores mais intensivos em capital, não em trabalho. Quem produziu mais não é quem ficou com o ganho.

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