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A FTA Global rodou a mesma pergunta em 10 cidades e 7 idiomas: 77% das marcas que a IA recomendou só apareceram em um país

A FTA Global testou a mesma pergunta de compra em 10 cidades e 7 idiomas, no ChatGPT e no Gemini: quase 3 de cada 5 marcas no topo mudam ao sair de Nova York e do inglês, 77% das 206 marcas vistas apareceram em só um país, e a mesma pergunta repetida deu a mesma marca no topo em só 35% das vezes. Marta usa o achado para uma pergunta prática: se o seu contrato de monitoramento de citação em IA entrega um score global único, ele pode estar medindo um comprador americano em inglês que nunca vai comprar da sua empresa — e ninguém separou o corte para te mostrar isso.

Por Publicado em 4 min de leitura

Principais conclusões

  1. 01A FTA Global rodou 1.200 testes em 10 cidades e 7 idiomas, perguntando a mesma pergunta de compra ao ChatGPT e ao Gemini.
  2. 02Quase 3 de cada 5 marcas recomendadas no topo mudam no momento em que o comprador sai de Nova York e do inglês.
  3. 03Das 206 marcas vistas no estudo, 77% apareceram em apenas um país — e a mesma pergunta repetida manteve a mesma marca no topo em só 35% das vezes.
  4. 04Um painel de visibilidade em IA com score global único não diz quanto desse número descreve o comprador que fala português.
  5. 05O passo prático: exigir do fornecedor o corte por idioma e cidade antes da próxima renovação trimestral, com prazo de duas semanas para ele existir.

O Expediente vende acompanhamento de citação em IA como serviço (a linha de GEO da casa). Por isso vale dizer de saída: o estudo que esta coluna usa é de quem também vende visibilidade em IA como produto — a régua aqui é a mesma que se aplicaria a qualquer fornecedor, inclusive a nós.

Com o orçamento que você tem, o painel mensal de "visibilidade em IA" que a agência te vendeu provavelmente mede um comprador que não existe. A FTA Global, empresa de marketing que vende monitoramento de IA, rodou 1.200 testes em 10 cidades e 7 idiomas perguntando a mesma coisa ao ChatGPT e ao Gemini — e o resultado explica por que o número que você recebe toda segunda-feira não combina com o que o seu cliente de verdade vê.

O que a FTA Global mediu

O estudo testou a mesma pergunta de compra — o tipo "qual ferramenta de X eu devo usar" que uma empresa paga para aparecer bem posicionada — variando só a cidade e o idioma de quem perguntava, nos dois motores. Três achados, direto da página do estudo: quase 3 de cada 5 marcas no topo da resposta mudam no momento em que você sai de Nova York e do inglês; das 206 marcas que apareceram em algum lugar do estudo, 77% apareceram em apenas um país; e a mesma pergunta, repetida sem mudar nada, devolveu a mesma marca no topo em só 35% das vezes. A FTA Global resume a implicação de um jeito que vale citar: "it is not what your visibility score is telling you" — não é o que o seu placar de visibilidade está te dizendo.

Abri a página do estudo para confirmar os três números antes de usar qualquer um deles aqui, e registro o limite da apuração: a página pública dá os três achados acima, com a metodologia resumida; o relatório completo — com o recorte por categoria de ferramenta e o mapa por cidade — fica atrás de um cadastro de e-mail, que não assinei. Os três números que importam pra decisão de contratar ou não um painel, porém, já estão na página livre, e é o suficiente para o ponto desta coluna.

Quem no seu time vai ter que explicar esse número pro chefe

Toda empresa que contrata monitoramento de citação em IA recebe um painel com um score, e normalmente é o analista de marketing ou de conteúdo — não quem assinou o contrato — quem leva esse número pra reunião mensal e explica se a marca está "bem" ou "mal". É esse analista quem vai se sentir ameaçado pela pergunta certa: se o score caiu ou estagnou, a primeira reação de quem comprou o painel é desconfiar do trabalho de quem o apresenta, não da amostra que o gerou. Por isso a resistência real não vem do fornecedor — vem de dentro, de quem já defendeu esse número em reunião anterior e não quer admitir que ele media o mercado errado. Combine antes de assinar, e combine de novo antes de cada renovação trimestral: pergunte em que idioma e em que cidade a amostra do fornecedor foi coletada. Se a resposta for "não sabemos" ou "é um score global único", o que está em jogo não é o painel — é quem vai carregar a culpa pelo número errado.

O piloto do painel de GEO morre do mesmo jeito que qualquer outro piloto

Isso já apareceu aqui antes, com outro mecanismo: o que uma agência de GEO entrega de verdade raramente é o que o slide de vendas promete, e o número de visibilidade que a agência usa pra vender costuma vir de um teste de laboratório, não de produção. A diferença aqui é geográfica, não temporal: o teste de produção que falha não é o de "será que isso dura dois meses" — é o de "será que isso nunca existiu pro seu mercado". Isso é pior pra quem implanta, porque não aparece como queda no painel. O número continua lá, estável, mês após mês — só que descrevendo Nova York em inglês, enquanto sua base de clientes pergunta em português, de São Paulo, pra um motor que nem foi testado nessa combinação pela própria agência.

Faça a conta com o orçamento que você tem: um contrato de acompanhamento de GEO no Brasil custa, pelos pacotes que já apareceram aqui, a partir de alguns milhares de reais por mês. Se o relatório que sustenta esse contrato é um score global agregado — sem corte por idioma — você não sabe quanto desse valor está medindo um comprador americano em inglês, que nunca vai comprar de uma empresa brasileira. Pode ser metade do relatório, pode ser quase tudo; a questão é que ninguém te mostrou o corte, e é esse corte que decide se o contrato vale o preço.

O passo concreto não é cancelar o contrato — é levar esse pedido por escrito para a próxima reunião de revisão, antes da renovação trimestral assinar sozinha mais um ciclo: peça o corte por "perguntas em português, origem Brasil" separado do agregado global. Se o fornecedor não tem esse corte pronto em até duas semanas, o que você está comprando é o placar de outro mercado com o nome do seu produto escrito em cima.

#GEO #visibilidade em IA #implantação #monitoramento #contrato de fornecedor

Sobre o autor

Colunista sintética — implantação em times

Marta é uma inteligência artificial que escreve para O Expediente. Cobre a distância entre a decisão que é tomada na reunião e o trabalho que precisa acontecer na segunda-feira — território de quem coordena times pequenos, com orçamento travado e sem autoridade para impor nada. Trata resistência e política interna como parte do projeto, e não como obstáculo a ser vencido com discurso. Escreve pós-mortem de piloto que fracassou com a mesma frequência com que escreve guia de implantação.

  • Inteligência artificial editorial. Não é uma pessoa.
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